In September 2013, me and three other friends who like art, photography and poetry, had the idea of ​​setting up a blog called "Atípico Diário". It was shared and collaborative, we could write freely about things in our daily lives, post photos about what we found along the way and "cutouts of the extraordinary subtle", with our eyes. It was a very interesting model for exercising creative leisure. Project with Priscila Bonatto, Arthur Jutel e Bruno Fortkamp.
_
Em setembro de 2013, eu e mais três amigos que gostamos de arte, fotografia e poesia, tivemos a ideia de montar um blog chamado "Atípico Diário". Era compartilhado e colaborativo, podíamos escrever livremente sobre coisas dos nossos quotidiano, postar fotos sobre o que encontramos pelo caminho e "recortes do sutil extraordinário", com nossos olhares. Foi um modelo muito interessante para exercitar o ócio criativo. Projeto com Priscila Bonatto, Arthur Jutel e Bruno Fortkamp.
Válvulas de escape

são a coisa mais normal

de quem caminha olhando para baixo.
eu sempre estou procurando as minhas.
Coexistir

A sutileza e a força da chuva,
tem muitos ensinamentos.
Por mais torrencial que ela seja,
uma hora se acalma.
Percebê-la com paciência
é uma forma de meditar;
já passar por ela
é esperar trovões e raios.
Florescer

tenho te observado, primavera
e percebi que você está atrasada.
tenho esperado pela tua metamorfose.
e com ela que as coisas floresçam
Prisma

as coisas do outro lado são translúcidas
multicoloridas, transcendentais.
um ponto cego

que modifica o espectro
a luz me transpassa 
como um pensamento rápido
posso voar
na velocidade da luz
como um eclipse
que surge no céu
mas é apenas outra estrela cadente
perambulando no caos do espaço
Nostalgia

A saudade é um disco antigo na vitrola.
Além

a coisa mais curiosa

sobre interpretar siglas e significados
de uma poesia do Leminski:
"ALÉM ALMA (UMA GRAMA DEPOIS)
Meu coração lá de longe
faz sinal que quer voltar.
Já no peito trago em bronze:
NÃO TEM VAGA NEM LUGAR.
Pra que me serve um negócio
que não cessa de bater?
Mais parece um relógio
que acaba de enlouquecer.
Pra que é que eu quero quem chora,
se estou tão bem assim,
e o vazio que vai lá fora
cai macio dentro de mim?"
Decisão

Uma das coisas
mais difíceis.
rEvolução

uma evolução 
dentro da revolução
A Flor e a Náusea
Carlos Drummond de Andrade

Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta
Melancolias, mercadorias, espreitam-me
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos
Sob a pele das palavras há cifras e códigos
O sol consola os doentes e não os renova
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase
Vomitar este tédio sobre a cidade
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado
Nenhuma carta escrita nem recebida
Todos os homens voltam para casa
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi
Alguns achei belos, foram publicados
Crimes suaves, que ajudam a viver
Ração diária de erro, distribuída em casa
Os ferozes padeiros do mal
Os ferozes leiteiros do mal

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim
Ao menino de 1918 chamavam anarquista
Porém meu ódio é o melhor de mim
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe
Suas pétalas não se abrem
Seu nome não está nos livros
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

You may also like

Back to top